Os encontros duraram pouco menos de três meses.
Todos eram num quartinho sujo e empoeirado no bairro do Brás. Eram intensos demais para que Nathália pudesse, de alguma forma, manter sua sanidade. Afirmava sempre para si mesma que tudo não passaria de uma aventura, um romance barato. O embalo acabaria rápido e tudo voltaria logo ao normal.
O tempo acabou escorregando de forma nojenta por cada pensamento, tão rapidamente que antes que pudesse notar, já estava em desespero mais uma vez por algo que nunca quis sentir novamente, pois os traumas eram abundantes, e o sofrimento era certo. Porém novamente lá estava ela, perdida e só na companhia voluptuosa que repousava sem qualquer pesar entre suas pernas como tecidos de veludo, como seda tocando o seu corpo.
O nó na garganta era crescente, doía mais que o amor que sentia, ou quem sabe, era este sentimento que estaria destroçando-a para poder se libertar?
Sim.
Ela estava prestes a regurgitar seu amor. Borboletas que antes dançavam em seu estômago, esvoaçariam pelo quarto sujo e frio, brilhariam no fino risco de luz do Sol que passava pelas frestas da janela mal fechada. Mas por quê? Pra quê?
Amanda espalmaria a todas as borboletas. Uma por uma até que não sobrasse mais nada para voar, nada mais pra vomitar.
Decidiu que mais ninguém mataria suas borboletas.
Em seu último encontro chorou sem parar observando Amanda que ia embora rapidamente, respirando fundo e elevando o seu peito como quem quer decolar. Nathália estava agachada no canto do quarto com a mão na boca engolindo o choro, as borboletas e o brilho avermelhado do metal em suas mãos, não percebendo que do orifício que havia aberto, também escapavam as mais belas e reluzentes borboletas que poderia um dia ver.
S.Charro