*Esta versão do texto foi adaptada para Literatura Infantil em 2008. A obra original foi feita por mim em meados de 2005 possuindo um teor mais violento, além de ser dividida em várias partes (cinco no total), mas ainda não há um final para a série de contos sobre Willie.
Era uma vez um mundo bem diferente do nosso; Lá vivia um menino chamado Willie; Diferente dos que existem em nosso universo. Ele vivia no mundo dos sonhos.
Willie se sentia só, pois era o único rapaz humano no mundo dos sonhos; e assim, não se misturava com os outros. Os gnomos eram muito rabugentos; as Sereias de água salgada, perigosas demais. Às vezes o Saci visitava Willie, mas não era sempre, pois dizia estar muito ocupado no Sítio onde vivia. Assim, só restava uma alternativa para nosso pequeno protagonista: Invadir os sonhos dos Homens da Terra. Do nosso mundo.
Neste momento começa nossa história! No dia em que Willie invadiu o sonho de uma menina chamada Doroth.
Doroth era uma menina de 5 anos de idade. Quando Willie invadiu seu sonho, ela estava em um lindo campo, agachada à beira de um lago, batendo as mãozinhas na água enquanto dizia:
- Vem cá, vem.
Willie, o invasor de sonhos, viu aquela menina de cabelos curtos e franja, nem tão claro, nem tão escuro, e achou estranho o fato de ela estar falando com a água; Resolveu aproximar-se dela para conversar:
- Hei, menina! O que faz aí?
Doroth ficou mais branquela do que era, pois assustou-se ao ver aquele menino alto e de cabelo revolto, e com uma blusa que era bem maior que ele próprio. Afinal ele era um desconhecido. Mesmo assim, respirou fundo e respondeu:
- Estou procurando minha lembrança. Ela pulou neste lago e não quer voltar. Não posso acordar sem ela.
Willie estranhou a explicação. Como era curioso, resolveu saber mais:
- E pra que precisa dela?
- Não posso acordar sem ela! Já imaginou se acordo sem lembrar dos meus pais e de meus amiguinhos?
Naquele instante, Willie espantou-se. Onde teria perdido sua lembrança? Pois não se lembrava de sua infância, de amigos, e nem de seus pais.
Vendo o garoto, apenas um pouco mais velho que ela ficar pensativo, Doroth levantou-se e indagou a ele:
- Pode me ajudar a recuperá-la?
Willie encarou a menina como quem tivesse um plano, e lançou:
- Só ajudo se me disser onde posso comprar uma lembrança.
Doroth franziu a testa e fez bico com os lábios.
- Mas, moço, lembranças não se compram. Elas são conquistadas com o tempo. Dificilmente você conseguirá uma igual a outra. Cada uma de nossas recordações é única.
Não direi a você, bravo leitor, que Willie entendeu o que a menina expusera, porém não quis pedir-lhe mais explicações.
Doroth era esperta, viu a dúvida no olhar do garoto e tentou complementar:
- Veja. Você já ganhou uma lembrança hoje. Se lembrará de mim por bastante tempo; e, sempre que pensar em mim, poderá ainda sentir o cheiro deste campo, verá as cores deste local e ouvirá minha voz, tal como ocorrerá comigo.
Willie parecia ter entendido mais. Resolveu fazer apenas mais uma questão:
- Entendi, por isso quer tanto sua lembrança de volta. Mas me diga; de tantos sonhos em que entrei, nunca vi ninguém perder uma lembrança. Como perdeu a sua?
Ela ficou triste, mas explicou:
- Eu estava um pouco doente, então dormi. Quando acordei no meu sonho, minha lembrança começou fugir de mim. Ela pulou aqui, no lago. Não sei como pegá-la.
Willie não pensou muito. Tirou a blusa que usava e pulou para dentro do lago. Doroth que não esperava tal comportamento, ficou aflita.
Olhava a cada instante, para a água, esperando a volta do novo amigo, esperando o retorno de sua lembrança. E assim foi. De repente, Willie saltou do lago. Ele segurava um bichinho peludo e amarelo que mais parecia um monte de linha enroscada. Doroth pulou de alegria e exclamou:
- Lembrança! Você voltou!
O garoto, todo molhado, se aproximou da menina a quem devolveu aquele estranho ser. A pequena falou:
- Muito obrigada, moço.
- Willie, interrompeu ele.
- Como? Perguntou ela.
- Meu nome é Willie. Estou dando-lhe meu nome para que possa levar-me em sua lembrança.
A garota sorriu com ternura.
- O meu é Doroth.
Quando Doroth partiu com sua lembrança, Willie quis saber onde estava a sua. Prometeu que, quando a encontrasse, nunca mais a perderia. A única coisa que ele não sabia, mesmo após as explicações da menina, é que Doroth lhe havia dado uma de presente; a nova ainda estava crescendo dentro dele.
Tenho a certeza de que, quando ele a descobrir, nunca a perderá.
- S.Charro
Caralho, Charro! Vem fazer minha história infantil desse ano, vem!!!rs
Parabéns! Adoro-te!rs
beijinhos
Já tinha lido, meus alunos também, rsrs. E novamente tenho que dizer: invejo como escreve bem!!!
Saudades de vc, Sé…
Bjos
Preguiça de ler… mas pelos comentários vou ter que fazer uma forcinha! rsrs
Ao menos consegui postar hoje! Passa lá no meu blog pois só tenho 2 leitores e você é um deles!
Beijos